segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Todas as coisas são lícitas?


Quatro vezes em dois versículos diferentes, Paulo disse que "todas as coisas são lícitas" (1 Coríntios 6:12; 10:23). Estas afirmações são um prato cheio para as pessoas que querem justificar coisas que não são aprovadas por Deus. Se alguém levantar objeção, a pessoa replica: "Mas, todas as coisas são lícitas" e pronto! Não precisa provar mais nada!

O problema com essa abordagem é que o contexto de 1 Coríntios dá outro sentido às palavras de Paulo. Quando ele respondeu às perguntas dos coríntios, usou ironia para chamar atenção dos leitores e para destacar as idéias absurdas deles. Vejamos alguns outros exemplos do mesmo livro antes de voltar para esses dois versículos.

Falando sobre a autoridade apostólica, ele disse em 4:9: "...parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar" . Mas Paulo e os coríntios  sabiam que não era bem assim. Em 12:28, o mesmo autor disse: "A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos...."

Tratando de problemas relacionados ao amor e a liberdade, ele disse em 8:1 "reconhecemos que todos somos senhores do saber". Será que somos mesmo? É claro que não. Paulo chamou atenção dos leitores imitando a arrogância deles. No próximo versículo ele nega essa afirmação, dizendo: "Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber". Em 8:7, ele disse: "...não há esse conheci-mento em todos..."  Todos nós somos senhores do saber? Absolutamente não!

Paulo usa a mesma ironia em 6:12 quando diz: "Todas as coisas me são lícitas...." Será que não há limite na vida do cristão? É claro que há. Ele acabou de dizer, em 6:9-10, que as pessoas que praticam pecado não herdarão o reino de Deus. Acrescenta em 6:18 que devemos fugir da imoralidade, pois é pecado. Todas as coisas são lícitas? Absolutamente não! (veja 6:15).

Em 10:23, falando sobre carne sacrificada aos ídolos, ele diz de novo: "Todas as coisas são lícitas". Algumas pessoas pervertem o sentido desse versículo para anular a proibição absoluta de Atos 15:20 e 29, onde o Espírito Santo proibiu o comer carne sacrificada aos ídolos e o comer sangue. Mas, em 1 Coríntios 10:20-22, Paulo afirma que a pessoa que come carne sacrificada aos ídolos está em comunhão com demônios, e não com Cristo! Em Apocalipse 2:14 e 20, Jesus condenou cristãos que praticaram esse pecado. Todas as coisas são lícitas? Absolutamente não!

Continuemos debaixo da lei de Cristo (1 Coríntios 9:21).

domingo, 28 de setembro de 2014

O Ódio de Deus Contra os Que Propõem Um Culto Falso

O Ódio de Deus Contra os Que Propõem Um Culto Falso
Quando o Senhor é afrontado nas suas ordens, então a sua ira é despertada e o seu juízo entra em ação. É assim em todas as áreas, principalmente no culto de celebração ao seu nome.
Deus deu regras inflexíveis quanto ao culto, e fez registrar todas as regras na sua escritura. Daí Jesus afirmar que “meu Pai procura adoradores que o adorem... em verdade”, conforme a verdade expressa nas Escrituras. A ordem ‘nada acrescentareis, nem diminuireis de tudo quanto eu vos ordeno’ é repetida à exaustão, para que ninguém ouse dizer que não sabia, ou que não tinha atentado para tal.
A santidade do seu nome é tamanha que Deus em nada quer ser comparado aos deuses vãos, produzidos pela imaginação dos homens, por isso que as regras para o culto são ditadas por Ele mesmo, e por mais ninguém.
Não temos o direito de dar sugestões, palpites, de dizer que é melhor assim ou assado, de adicionar elementos ou mesmo subtrair. Em matéria de culto, o Adorado é quem dita as regras. Por isso que, a rigor, em qualquer igreja do planeta, o culto deveria ser rigorosamente o mesmo, pois a forma de adorar o Senhor está ali, escrita, de modo invariável.
Esse assunto é de gravidade tal, que qualquer alteração no culto se tornava um crime inominável contra Deus, e Ele ordenava a punição máxima, sumária, radical – a morte.
O Senhor alertou que, se fosse o pastor quem propusesse um culto alterado, falso, fosse morto. O Senhor alertou que, se fosse o seu filho, ou a sua filha, ou a sua esposa, ou mesmo o seu amigo mais estimado, que propusessem a alteração do culto, fosse morto, e a sua mãe deveria ser a primeira a começar a aplicação da pena capital. Deus ainda disse que, se pessoas de Israel, pertencentes à aliança, propusessem alterações no culto, então essa pessoa deveria ser morta, bem como todos os seus seguidores, mesmo que fosse a cidade inteira.
Tudo isso aponta para o zelo que Deus tem pelo culto. Jesus afirmou que “o zelo da tua Casa me consumirá”. Amemos, portanto, o culto, da mesma forma que Deus ama, e tenhamos zelo pelo culto, da mesma forma que Deus tem.
Esse Sermão foi proferido pelo Pr. Edson Rosendo, no Domingo, Dia do Senhor, 03/11/2013, do púlpito da Primeira Igreja Batista Reformada em Caruaru. Foi baseado em Deuteronômio 13 e dividido em três pontos:
O Ódio de Deus Contra o Culto Falso se Manifesta Contra os Pastores
O Ódio de Deus Contra o Falso Culto se Manifesta Contra os Parentes
O Ódio de Deus Contra o Falso Culto se Manifesta Contra os Irmãos na Fé
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Libertos Para Cultuar
Deus exige de cada adorador o seu todo. Ninguém pode adorar a Deus se não o fizer de modo integral. Todo o ser deve ser do Senhor. Os desígnios, projetos, planos, pensamentos, devem ser submetidos ao escrutínio do Senhor.
Também tudo quanto o homem possui deve ser dedicado a Deus, antes que alguém possa adorá-lo. O tempo sem desperdício, o trabalho honesto, a família, os bens, a renda, o prestígio, a fama, o conhecimento, a beleza, o intelectualismo, os interesses, os gostos, as paixões, tudo, tudo deve ser deposto diante do Senhor. Há de haver uma entrega plena, ampla, irrestrita.
Abraão entregou o seu melhor. Jó depôs todos os bens, filhos, ser. Jesus entregou-se sem reservas, sequer fazendo caso da sua condição de Deus. Nenhum adorador estará de forma legítima diante de Deus se mantém em seu poder alguma coisa do seu ser ou alguma coisa das suas posses.
Deus exige entrega total, inclusive dos detalhes. É nesse quesito que muitos adoradores prestam um culto vão, enganando-se a si mesmos, prestando um culto segundo os seus próprios desígnios, fazendo de conta que as exigências de Deus são apenas para amedrontar, e continuam fazendo do seu jeito, apenas para lhes aliviar as consciências culpadas, realizando um culto não autorizado, não eficaz, mentiroso, falso e desobediente.
Nenhum desses adoradores provará a Ceia do Cordeiro, pois desprezaram as instruções de Deus para o culto, foram profanos em todo o tempo, não respeitaram as Escrituras, e enveredaram por um caminho alternativo, mais fácil, mais barato, menos custoso, tentando agradar a dois senhores.
São esses que, por mais aparência de piedade que possuam, nunca verão a alva, pois não cumpriram aquilo para o qual foram criados: adorar a Deus em espírito e em verdade.
Quais são os passos para cultuar? Isso é o que responde os quatro pontos do Sermão proferido pelo Pr. Edson Rosendo, no domingo, Dia do Senhor, 01/09/2013. O sermão foi baseado no capítulo 5 de êxodo e foi dividido em quatro pontos:
1) A Libertação é Sempre Precedida do Aumento das Dificuldades
2) Deus Exige dos Adoradores Dedicação Integral
3) Resistir às Sugestões de Satanás Quanto ao Culto
4) Libertados Para um Culto de Plenitude
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sábado, 27 de setembro de 2014

O desespero humano e a possibilidade de salvação

1. Introdução
A individualidade, para Kierkegaard é uma ousadia, em virtude do esforço e da raridade com que são projetadas diante de Deus. A relação do homem consigo mesmo, em sua realidade pessoal, é dominada pelo desespero em razão da condição na qual ele se encontra ao cruzar com uma possibilidade seguida de outra sem permanecer, de fato, em nenhuma delas. É por esta razão que Kierkegaard compara o desespero com uma doença1.
Este desespero, ao enfrentar as possibilidades, coloca o homem diante de si mesmo com suas escolhas possíveis. Um dos aspectos de qualquer escolha possível é a ação, na qual o homem permanece fora de si mesmo ao projetar-se na realidade, uma vez que ele enfrenta os possíveis da realidade concretizando, dessa maneira, sua singularidade2.
Diante do desespero causado pela soma de todas as possibilidades, o homem encontra sua salvação somente pela ajuda de Deus. É Deus quem salva o homem do desepero das possibilidades. Por isso, o outro aspecto que complementa a parte material do primeiro, é sua nova compreensão de ser humano que está ligado ao seu espírito. Este aspecto é necessário em razão da síntese reflexiva que o homem deve realizar, pois, pelo espírito, o homem entra em contato com Deus para a superação diante da sua existência3. De acordo com Kierkegaard, o homem sozinho não consegue eliminar o seu desespero, pois, embora tendo consciência dele, o esforço despendido para suprimi-lo, acabará por afundá-lo ainda mais.
2. O desespero kierkegaardiano
Embora Kierkegaard classifique o desespero como uma doença, ele o enxerga, na verdade, como o aspecto que diferencia o ser humano dos animais e o cristão do não cristão. O homem, ao contrário dos animais, é vulnerável ao desespero; assim como o cristão tem consciência do seu desespero, em oposição ao não cristão, uma vez que ele sabe da sua possibilidade de cura. Portanto, o desespero é um paradoxo, pois, se todo homem está atinigido pela doença do desespero, este pode ser também a cura, quando o homem transforma aquilo que é possível em realidade.
Esta passagem da possibilidade para a realidade causa uma queda. Logo, aqueles que não se desesperam permanecem elevados e, assim, não se transformam. Aqueles que não tem consciência do seu desespero permanecem apenas na possibilidade, sem, de fato, transformarem essa possibilidade em realidade. Esta estadia no desespero leva o homem à morte, pois, para Kierkegaard, o desespero é, a relação do homem voltada apenas para si próprio. Portanto, o homem, retido nesta categoria de fechamento, desconfia de todos e acredita apenas em si mesmo.
Kierkegaard continua e compara o desespero com uma morte sem morrer. Uma vez que a morte, em si mesma, aniquila com todas as doenças, a morte para o cristão é, em última análise, uma passagem para a vida. O desespero, por outro lado, não permite que a morte ponha fim ao sofrimento. Assim, estar mortalmente doente é não poder morrer e continuar no desespero. Neste caso, o ser humano vive, mas está morto. O desespero é o fechamento em si mesmo, e por isso, o homem que se desespera quer libertar-se do seu próprio eu. Esta é a consciência do desespero. A não consciência do desespero, o estar calmo e confiante em si mesmo, podem ser desespero. Assim como nunca ter sentido desespero é precisamente o desespero.
O desespero está relacionado ao desvio do destino espiritual do homem. A inconsciência que os homens tem do seu destino espiritual é o desespero. A inocência aque acompanha este estado inconsciente é classificada por Kierkegaard como portadora de paz e segurança ilusórias e, por esta razão, é insuficiente para a travessia da vida. Logo, a falsa satisfação na vida e a falta de preocupação é o próprio desespero.
O salto além do desespero vem com a consciência de que o seu eu é transcendente e existe para o relacionamento com Deus. Esta e a saída da morte, a conquista da eternidade, segundo Kierkegaard.
3. A transformação do eu
Para Kierkegaard a consciência do desespero que habita o indivíduo é o fator decisivo para que haja a liberdade do eu. O eu é a justaposição entre sua finitude e infinitude, uma vez que há a possibilidade de relacionamento com Deus. O processo de tornar-se si próprio envolve o contato com Deus e enquanto isso não acontece ele não consegue tornar-se si próprio. O eu que não é si próprio é o desespero.
O desespero pode ser definido pelo seu contrário, isto é, sendo o eu a síntese entre finito e infinito. O homem que anula o seu eu físico, que se perdeu em sua imaginação, não consegue regressar a si próprio, afastando-se cada vez mais de si mesmo. O homem que envolve-se cada vez mais com sua imaginação parte cada vez mais longe rumo ao infinito. Essa capacidade para o infinito, orienta o homem em direção a Deus, mas pode levá-lo também a perder seu próprio eu. Logo, um homem que está preso apenas à transcendência é desespero, que Kierkegaard chamou de desespero da infinidade.
Entretanto, fechar-se no finito, ou carecer do infinito é igualmente desesperador. Ao desesperar-se no finito o ser humano perde sua individualidade e torna-se uma repetição. Ao perder sua individualidade o homem esquece de si próprio e passa a assemelhar-se aos outros. Este é o desespero apático que a sociedade ignora e aplaude. Ao fechar-se em si mesmo este homem perde o seu eu por estar sem eu perante Deus. Kierkegaard chama a isso de desespero do finito, baseado numa vida de aparências de quem não se arrisca a nada.
A transformação do eu é a preocupação maior para Kierkegaard, Por isso, o desespero, além de ser a justaposição mal realizada entre o finito e o infinito, se manifesta também na falta do possível e da necessidade, os quais são essenciais para que haja a transformação e a liberdade do eu.
O eu é necessidade, pois ele deve tornar-se si próprio. Ao perder-se em sua imaginação, isto é, na possibilidade, o eu distancia-se de si mesmo e não consegue mais retornar aos aspectos da sua necessidade, fundamentais em sua constituição como indivíduo4. O eu, perdido na possibilidade, torna-se abstrato e perde sua individualidade. Na busca por tornar-se, ele acaba partindo e perde-se. Este é o desespero do possível, pois o eu se desespera diante de tantos possíveis sem jamais realizar-se. Entretanto, o tornar-se si mesmo, é um movimento sem deslocamento no qual o eu permanece em sua necessidade.
Por outro lado, a falta da possibilidade é também desespero, pois permanecer na necessidade, isto é, no finito, também é perder-se. O possível viabiliza a manifestação do eu, pois a existência da-se também fora de si mesmo. A partir do eu, qualquer salvação é impossível. Por isso que Kierkegaard afirma que a fé é a luta para que o possível se realize e crer é saber que a Deus tudo é possível. A fé em Deus é a abertuda da possibilidade. A verdadeira salvação só é possível quando nenhuma salvação é possível5, pois a única ajuda em face ao desespero é perceber que para Deus tudo é possível. É no desespero do possível, diante do infinito, que a fé em Deus é o remédio contra a doença o desespero, pois Deus pode a todo instante. É na fé que o ser humano resgata sua relação com Deus, realiza a síntese entre o finito e infinito, sem os quais o eu não tornar-se si próprio.
Se a fé existe por si só, desconectada de Deus, a crença não é possível, pois crer é a abertura da possibilidade; e tudo é possível somente a Deus. O eu torna-se si mesmo quando enfrenta o desespero do possível repousando sua fé em Deus, que pode tudo. No encontro com Deus o ser humano realiza sua síntese e pode tornar-se si mesmo.
4. O pecado e a fé
É a partir dessa síntese entre o finito e o infinito, e entre a necessidade e o possível que Kierkegaard vai desenvolver sua concepção de pecado. Ele vai começar dizendo que o pecado é uma condensação do desespero quando estamos diante de Deus. Esta condensação do desespero se caracteriza de duas maneiras. O desespero fraqueza, que é o desespero de não querer se tornar si mesmo; e o desespero desafio, que é o querer tornar-se si mesmo. Aqui o pecado é sempre permanecer na imaginação ao invés de querer uma relação e síntese reais.
Existe a consciência de querer ser a si mesmo, mas sem a presença de Deus. Tem-se consciência de estar diante de Deus, entretanto, ele ama muito mais o seu sofrimento preferindo o seu suplício em lugar de querer ser a si próprio. Ele não quer assumir seu próprio eu, não quer ver sua tarefa nesse eu, mas quer construir ele mesmo seu próprio eu sem a ajuda de Deus6.
O pecado pode ser descrito como uma resistência à liberdade de tornar-se si mesmo para permanecer no desespero sem a presença e ajuda de Deus, isto é, o pecado é a revolta contra Deus, pois tem-se consciência de sua presença, mas recusa-se sua ajuda.
Contudo, é na forma desse desespero mais intenso que existe a maior proximidade com a possibilidade de cura do desespero. A proximidade é maior pois se trata de um desespero com a ajuda de Deus. Esse é o desespero que promove a passagem para a fé, e a fé a reabertura daquilo que nos é possível. É uma nova possibilidade. É por isso que a fé só pode vir de Deus. É precisamente no momento que o desespero é muito mais intensamente sentido que a salvação está mais próxima7.
A consciência de estar diante de Deus faz com que o eu torne-se si mesmo, e quanto mais o eu torna-se si mesmo, mais tem-se consciência de Deus. O não cristão peca, pois ignora desesperadamente estar diante de Deus. Ao ter cada vez mais consciência de estar diante de Deus o eu perde-se de si mesmo, e percebe que não pode fazer nada para a sua salvação8. É exatamente quando o eu perde a si mesmo que ele ganha a si mesmo.
Kierkegaard rompe com o conceito de pecado como uma categoria moral, isto é, em termos de ações incorretas perante a sociedade, pois afirma que se trata de uma medida puramente humana. Uma vez que o pecado é não ter consciência de estar diante de Deus, Kierkegaard se apoia em Romanos 14:23 e afirma que o contrário do pecado, não é a virtude ou qualquer sistema moral, mas sim a fé, pois é esta que abre novas possibilidades com a ajuda de Deus pela consciência de estar diante dele. Portanto, pecado deve ser compreendido em termos de posicionamento, isto é, é um desvio de relacionamento, e não simplesmente más ações.
A fé é a cura para desespero, pois a síntese do relacionamento é recuperada. Logo, o eu é transformado em virtude do crescimento da ideia de Deus, isto é, quanto mais cresce a ideia de Deus, mais o eu cresce simultaneamente. De acordo com Kierkegaard este é o absurdo9 da existência cristã, uma vez que o finito e o eterno sintetizam-se no homem10.
5. Considerações finais
Segundo Kierkegaard, a fé é a cura para o desespero, pois restabelece a síntese absurda entre o finito e o infinito, além de descobrir novas possibilidades promovendo a transformação do eu em si mesmo.
Esta síntese entre finito e infinito se realiza a partir do momento onde o eu percebe-se diante de Deus em desespero. Mas pecado é mais do que desespero. Em virtude da síntese ser entre finito e infinto o pecado não pode ser reduzido às categorias humanas de comparação, isto é, o pecado não deve ser comparado apenas com as más ações, pois o moralismo não foi levado à suas últimas consequências, pois trata-se apenas de um sintoma, não da causa em si.
É por ter consciência do pecado, esse desespero último, que o ser humano não percebe nenhuma possibilidade e, por isso, toda a salvação é humanamente impossível.
No momento que o ser humano tem consciência dessa não possibilidade ele se perde, e, ao perder-se é achado uma vez que a síntese entre o infinito e finito foi realizada. Este é o paradoxo do ser cristão, assumir o risco de perder-se para ser achado.
Fonte: milhoranza.com

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

4 Formas de Melhorar Sua Vida de Oração

A oração é uma parte essencial da vida cristã. Infelizmente, muitos cristãos passam pela vida sentindo-se culpados por não orar tanto como eles pensam que deveriam orar. Você deseja uma vida de oração mais constante e significativa? É você uns dos que desejam uma comunhão mais estreita com Deus por meio da oração? Eis aqui quatro sugestões que te ajudarão a melhorar sua vida de oração.
1) Tome dez minutos sem fazer nada, somente louvando a Deus
A oração não é tudo sobre você. Quando você se concentra exclusivamente em sua oração a Deus, estão as melhores condições para ter atenção somente para suas necessidades. Com muita frequência, nossa vida espiritual se converte em um esforço pessoal das individuos envolvidos, pois é difícil apreciar nosso maravilhoso Deus com toda a sua graça , glória, grandeza, majestade, santidade e amor.
Dedique-se dez minutos para centrar-se simplesmente em Deus, e louva-lo pelo que Ele é, e pelo que têm feito. Ore uma passagem das escrituras como Salmo 135 ou a oração de Daniel (9:3-19). Quando o assunto,o objeto e a paixão de sua oração é somente Deus, você é mais capaz de sustentar sua vida de oração.
2. Utilize a hora do almoço como seu tempo de oração
Uma das razões do desânimo tomar conta de nossas vidas sobre a oração, é porque não nos sentimos capazes de estarmos a altura de nossas expectativas de ter um tempo especial, sagrado e um lugar para orar. Orando em um momento especial, em um lugar especial é com certeza uma coisa maravilhosa. Mas em lugar de desanimar-se sobre não ter “um” tempo, utilize ocasiões diárias que já existem para orar, A hora do almoço é uma excelente oportunidade. Inclusive os pais com as crianças comem comidas. Tomem um minuto ou dois para orar, seja em silêncio ou em voz alta. É possível que deseje manter um livro pequeno de oração sobre a mesa, ou um devocional diário.
3. Se preocupar menos com o tempo , e mas com a atitude de oração
Muitos cristãos já ouviram falar dos testemunhos de homens como John Hyde ou George Muller, que passavam horas todos os dias em oração. Martim Lutero disse a famosa frase: ” Se deixo de passar duas horas em oração cada manhã, o diabo obtém a vitória nesse dia. Tenho tantotrabalho que não posso passar sem três horas diárias em oração”.
Se isso é correto , o que acontece com o resto de nós? Deveríamos sentir vergonha por não passar horas cada dia em oração? O que acontece com I Tessalonicenses 5:17 – o mandamento de orar sem cessar? Se você se julga por essa medida, incluso os famosos guerreiros de oração não estariam a altura dessa medida.
O problema vem quando medimos o êxito de nossa vida de oração por o tempo que passamos fazendo-o. No verso de I Tessalonicenses 5:17 não nos diz que uma vida de oração muito boa consiste em nada menos do que 45 minutos ao dia, ou ainda de que alguma maneira deve orar cada instante de tempo. No entanto o verso nos diz duas coisas:
1) Orar com frequência ( Compare com Romanos 1:9)
2) Nunca dar-se por vencido na oração ( Lucas18:1-8)
Quando tomamos o tempo como nossa medida de esforço na oração, colocamos uma barreira em nossa vida de oração, em tudo o que oramos. O que acontece com o suspiro de uma oração a Deus quando você vê sair o sol? E os agradecimentos a Deus por sua graça , quando se depara diante de um momento de tentação? O que acontece com a oração pela paciência a medida que troca uma fralda suja, ou o que fazer diante de um bebê que chora? Que passa com a oração de amabilidade enquanto trabalha para um chefe frustrante? O que acontece com a oração silenciosa por sabedoria ao entrar em uma situação de aconselhamento?
Não devemos nos culpar por não orar horas cada dia. Incluso George Muller disse: ” Oro horas todos os dias, porém eu vivo no espírito de oração. Oro ao caminhar, quando me deito e quando me levanto. E as respostas sempre chegaram no momento preciso.”
4. Orar nesse momento.
De acordo com o número três, tente orar quando o Espirito lhe peça que o faça. Alguma vez teve uma súbita inspiração para orar? A continuação, somente ore, ali mesmo, onde quer que esteja, Alguma vez lhe disse a uma amigo: “Vou orar por você”, então esquece de fazê-lo? A próxima vez, somente ore. Se alguém comparte uma petição de oração com você, somente pare e ore por ele nesse momento.
Muitas vezes, renegamos a oração, sendo que isso se deve fazer em um momento determinado. O triste pe que alguns de nós não têm exito porque pensam não ter tempo, ao invés de somente ser guiado pelo Espírito.
O ponto desse artigo não é para fazer com que se sintas culpado por não orar tanto como deveria. Ai invés disso, têm o propósito de fomentar sua vida de oração. Ao invés de suar tinta para ter um caminhar cristão com desânimo sobre sua vida de oração, busque-o com alegria e celebre a comunicação que é possível ter como nosso pai celestial.

A FÉ CRISTÃ




  
I- Definição da Palavra
A simples fé implica uma disposição de alma para confiar noutra pessoa. Difere de credulidade, porque aquilo em que a  fé tem confiança é verdadeiro de fato, e, ainda que muitas vezes transcenda a nossa razão, não lhe é contrário. A credulidade, porém,  alimenta-se de coisas imaginárias, e é cultivada pela simples imaginação. A fé difere da crença porque é uma confiança do coração e não apenas uma aquiescência intelectual. A fé religiosa é uma confiança tão forte em determinada pessoa ou princípio estabelecido, que produz influência na atividade mental e espiritual dos homens, devendo, normalmente, dirigir a sua vida. A fé é uma atitude, e deve ser um impulso.
A fé cristã é uma completa confiança em Cristo, pela qual se realiza a união com o Seu Espírito, havendo a vontade de viver a vida que Ele aprovaria. Não é uma aceitação cega e desarrazoada, mas um sentimento baseado nos fatos da Sua vida, da Sua obra, do Seu Poder e da Sua Palavra. A revelação é necessariamente uma antecipação da fé. A fé é descrita como "uma simples mas profunda confiança Naquele que de tal modo falou e viveu na luz, que instintivamente os Seus verdadeiros adoradores obedecem à Sua vontade, estando mesmo às escuras". A mais simples definição de fé é uma confiança que nasce do coração.

II- A Fé no ATA atitudes para com Deus que no NT a fé nos indica, é largamente designada no AT pela palavra "temor". O temor está em primeiro lugar que a fé; a reverência em primeiro lugar que a confiança. Mas é perfeitamente claro que a confiança em Deus é princípio essencial no AT, sendo isso particularmente entendido naquela parte do AT, que trata dos princípios que constituem o fundamento das coisas, isto é, nos Salmos e nos Profetas. Não es está longe da verdade, quando se sugere que o "temor do Senhor" contém, pelo menos na sua expressão, o germe da fé no NT. As palavras "confiar" e "confiança" ocorrem muitas vezes; e o mais famoso exemplo está, certamente, na crença de Abraão (Gn 15.6), que nos escritos tanto judaicos como cristãos é considerada como exemplo típico de fé na prática.

III- A Fé, nos EvangelhosFé é uma das palavras mais comuns e mais características do NT. A sua significação varia um pouco, mas todas as variedades se aproximam muito. No seu mais simples emprego mostra a confiança de alguém que, diretamente, ou de outra sorte, está  em contato com Jesus por meio da palavra proferida, ou da promessa feita. As palavras ou promessas de Jesus estão sempre, ou quase sempre, em determinada relação com a obra e a palavra  de Deus. Neste sentido a fé é uma confiança na obra, e na palavra de Deus ou de Cristo. É este o uso comum dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.29; 13.58; 15.28; Mc 5.34-36; 9.23; Lc 17.5,6). Esta fé, pelo menos naquele tempo, implicava nos discípulos a confiança de que haviam de realizar a obra para a qual Cristo lhes deu poder; é a fé que opera maravilhas. Na passagem de Mc 11.22-24 a fé em Deus é a designada. Mas a fé tem, no NT, uma significação muito mais larga e mais importante, um sentido que, na realidade, não está fora dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.2; Lc 7.50): é a fé salvadora que significa salvação. Mas esta idéia geralmente sobressai no quarto evangelho, embora seja admirável que o nome "fé" não se veja em parte alguma deste livro, sendo muito comum o verbo "crer". Neste Evangelho acha-se representada a fé, como gerada em nós pela obra de Deus (Jo 6.44), como sendo uma determinada confiança na obra e poder de Jesus Cristo, e também um instrumento que, operando em nossos corações, nos leva para a vida e para a luz (Jo 3.15-18; 4.41-53; 19.35; 20.31, etc). Em cada um dos evangelhos, Jesus proclama-Se a Si mesmo Salvador, e requer a nossa fé, como uma atitude mental que devemos possuir, como instrumento que devemos usar, e por meio do qual possamos alcançar a salvação que Ele nos oferece. A tese é mais clara em João do que nos evangelhos sinóticos, mas é bastante clara no último (Mt 18.6; Lc 8.12; 22.32).

IV- A Fé, nas Cartas de Paulo
Nós somos justificados, considerados justos, simplesmente pelos merecimentos de Jesus Cristo. As obras não tem valor, são obras de filhos rebeldes. A fé não é uma causa, mas tão somente o instrumento, a estendida mão, com a qual nos apropriamos do dom da justificação, que Jesus pelos méritos expiatórios, está habilitado a oferecer-nos. Este é o ensino da epístola aos Romanos (3 a 8), e o da epístola aos Gálatas. Nos realmente estamos sendo justificados, somos santificados ela constante operação e influência  do Santo Espírito de Deus, esse grande dom concedido à igreja e a nós pelo Pai por meio de Jesus. E ainda nesta consideração a fé tem uma função a desempenhar, a de meio pelo qual nos submetemos à operação do E. Santo (Ef 3.16-19).

V- Fé e Obras

Tem-se afirmado que há contradição entre Paulo e Tiago, com respeito ao lugar que a fé e as obras geralmente tomam, e especialmente em relação a Abraão (Rm 4.2; Tg 2.21).
Fazendo uma comparação cuidadosa entre os dois autores, acharemos depressa que Tiago, pela palavra fé, quer significar uma estéril e especulativa crença, uma simples ortodoxia, sem sinal de vida espiritual. E pelas obras quer ele dizer as que são provenientes da fé. Nós já vimos o que Paulo ensina a respeito sa fé. É ela a obra e dom de Deus na sua origem, e não meramente na cabeça; é uma profunda convicção de que são verdadeiras as promessas de Deus em Cristo, por uma inteira confiança Nele; e deste modo a fé é uma fonte natural e certa de obras, porque se trata duma fé viva, uma fé que atua pelo amor (Gl 5.6).
Paulo condena aquelas obras que, sem fé, reclamam mérito para si próprias; ao passo que Tiago recomenda aquelas obras que são a conseqüência da fé e justificação, que são, na verdade, uma prova de justificação. Tiago condena uma fé morta; Paulo louva uma fé viva. Não há pois, contradição. A fé viva, a fé que justifica e que se manifesta por meio daquelas boas obras, agradáveis a Deus, pode ser conhecida naquela frase já citada: "a fé que atua pelo amor".

Dicionário Bíblico Universal

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A doutrina inibe o agir do Espírito?

Hoje, ouvi de uma pessoa - muito simpática, atenciosa e certamente seguidora de Cristo - o seguinte comentário a respeito de um culto por que participamos durante a manhã: "Aqui há uma boa valorização da Palavra e da doutrina, mas a liturgia é muito 'fechada' e o Espírito Santo não tem liberdade para agir" (parafraseando). Estávamos em uma paróquia protestante.
Essa declaração me fez recordar as inúmeras semelhantes que já ouvi, geralmente, de irmãos carismáticos. "Este culto é muito mecânico", "tanta doutrina atrapalha o agir do Espírito Santo", "aqui não há espaço para o Espírito trabalhar", etc. Mas será que essas declarações estão corretas à luz da Escritura? Será que tais afirmações são portadoras de uma compreensão acurada sobre o Espírito de Deus, sobre a instrumentalidade da Palavra e sobre a teologia do culto? A resposta é: não. E eis algumas razões que justificam meu parecer.
Primeiramente, Deus é um ser todo-poderoso. Ele é onipotente. Nada e ninguém pode limitá-lo, cerceá-lo, restringi-lo, manietá-lo, conduzi-lo, impedi-lo, atrasá-lo ou influenciar sua operação de qualquer maneira, em qualquer nível. Isaías 46.10 diz: "... Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada.", e no v. 11 completa: "Do oriente convoco uma ave de rapina; de uma terra bem distante, um homem para cumprir o meu propósito. O que eu disse, isso eu farei acontecer; o que planejei, isso farei.". E Deus diz, em Isaías 43.13: "Agindo eu, quem o pode desfazer?”. Diante desses poderosos testemunhos bíblicos e, lembrando que o Espírito Santo é Deus, resta ainda algum espaço para defendermos uma posição na qual o Espírito - o próprio Deus - está limitado por alguma situação em particular? É claro que não! Como poderia o Deus criador de todas as coisas, inclusive da nova vida aos pecadores espiritualmente mortos, ver-se "limitado" por qualquer coisa? Uma obra muito mais difícil de ser concebida pela mente humana, a de dar nova vida a pessoas mortas em seus pecados e delitos (Ef 2.1), nós conseguimos aceitar pela fé, por que não haveríamos de aceitar o fato de que nada pode impedir e nem mesmo dificultar a operação do Santo Espírito de Deus? Segue-se que o Espírito opera quando quer, como quer, independentemente de nossa permissão \[1]. Liturgias mais elaboradas e menos "intuitivas" não restringem o agir do Espírito Santo de maneira alguma. Nem circunstancialmente nem ontologicamente o Espírito do Senhor é ou pode ser limitado.
Em segundo, a Palavra de Deus, bem como a doutrina por ela revelada são os principais e maiores instrumentos de santificação do qual o Espírito se vale para operar nos corações e mentes dos regenerados. Jesus, em João 15.3 diz: "Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado". O texto de Efésios 6.17 nos diz que a Palavra é a espada do Espírito, o instrumento empregado por Ele. A segunda carta de Pedro diz: "Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça" (1.4); e sabemos que as mencionadas promessas, neste contexto, são figuras para toda a Palavra de Deus. Pedro também diz: "Agora que vocês purificaram a sua vida pela obediência à verdade..." (1Pe 1.22); lembrando também que a verdade objetiva só pode ser encontrada na Escritura Sagrada, como revelação especial de Deus para nós. Portanto, uma conclusão é inevitável aqui: a Palavra de Deus não somente NÃO atrapalha o agir do Espírito Santo como, justamente ao contrário, o consolida e torna eficaz. Um crente só é santificado pela instrumentalidade da Palavra sob a operação do Espírito. Um crente só é aperfeiçoado na consciência do evangelho mediante a Palavra de Deus, que imprime significado e promove contraste objetivo na interpretação dos fatos e conceitos. Logo, a carga doutrinária de um culto está diretamente ligada às possibilidades de transformação VERDADEIRA de caráter nas pessoas. Um culto repleto de atividade musical, manifestações emotivas e participações livres e espontâneas podem agradar a uns que carecem de uma maior "interatividade", por assim dizer, mas não são eficientes para a operação de santificação dos salvos e, portanto, não podem ser considerados como verdadeiros cultos a Cristo. Uma verdadeira e transformadora reunião precisa ser, do início ao fim, pautada e imbuída na Palavra do Senhor, com forte conteúdo doutrinário e sólido ensino na sã doutrina.
Portanto, voltando à afirmação de que um culto bem organizado liturgicamente e fundamentado no ensino inibe o agir do Espírito Santo, concluímos que tal assertiva é deveras equivocada. Com efeito, essas características não apenas não podem limitar a operação do Espírito Santo como são os verdadeiros conduintes da ação santificadora da Terceira Pessoa. Correndo o risco de me repetir, reafirmo algo em que venho insistido: não existe vida espiritual à parte da Escritura como ferramenta de aperfeiçoamento empregada pelo Espírito.
Notas
1. O fato de o Espírito Santo ser soberano em seu agir não significa que não exista um modus operandi passível de identificação em suas operações, segundo a Escritura. Deus é absolutamente soberano, porém, revelou a nós as formas usuais pelas quais opera.
Fonte: Teologia Expressa

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Fervor Sem Conhecimento

Charles Spurgeon
Não aceitem o conceito que o mero fervor sem conhecimento bastará, e que as pessoas hão de ser salvas simplesmente por nosso zelo. Receio que somos mais eficientes em calor que em luz; mas o fogo que não tem luz é de natureza suspeita e não vem de cima. Os pecadores são salvos pela verdade que penetra no entendimento, alcançando assim sua consciência. Como pode o evangelho salvar se não é entendido? O pregador talvez utilize saltos, gritos, golpes e súplicas; porém o Senhor não está no vento nem no fogo; a voz mansa e delicada da verdade é indispensável para penetrar no entendimento e alcançar coração. A congregação deve ser ensinada. Devemos "ir e doutrinar as nações", fazendo discípulos entre elas; e não conheço maneira alguma para salvar os homens senão que os ensinemos e eles aprendam.
Alguns pregadores, embora sabendo muito, ensinam pouco porque usam uma linguagem elevada. Lembremos que nos dirigimos a pessoas que precisam ser orientadas como crianças; mesmo adultos, a maior dos ouvintes está ainda na infância no que concerne às coisas de Deus. Para receberem a verdade, tem de ser apresentada de modo simples, de maneira fácil de assimilar e guardar na memória. Acaso não têm ouvidos sermões que são peças de oratória, e nada mais? Contudo quando termina, o discurso não satisfez a mente, porque a retórica não alegra a alma. É preciso que não façamos da oratório o nosso objetivo. Alguns são eloquentes por natureza, e não lhes é possível ser outro modo, como os rouxinóis não podem evitar de cantar docemente; portanto, não os censuro, mas os admiro. Não é dever do rouxinol baixar a voz ao mesmo tom que o pardal. Que cante com doçura, se o faz naturalmente. Deus merece a melhor oratória, a melhor lógica, a melhor metafísica, o melhor de tudo; entretanto se alguma vez a retórica embaraça a instrução do povo, seja anátema. Que jamais aluma capacidade ou aptidão educacional ou mesmo algum dom natural que possuamos seja estorvo à compreensão do povo naquilo que transmitimos. Que Deus não permita que a nossa erudição ou estilo obscureça a luz; pelo contrário, que sempre usemos a linguagem singela de modo que o evangelho resplandeça livremente em nosso ministério.
Há grande necessidade atual de transmitir luz porque há muitas tentativas ferozes de apagá-la e obscurecê-la. Há muitos que espalham as trevas por toda a parte. Portanto, irmãos, mantenham a luz ardendo em suas igrejas e em seus púlpitos, e ergam-na diante dos homens que amam as trevas porque favorecem seus objetivos. Ensinem à congregação toda a verdade. Há ladrões de ovelhas que rondam à noite, e se conseguem seduzir alguns do nosso povo é porque não conhecem os princípios do cristianismo. Nossos ouvintes têm uma ideia geral das coisas, mas não o suficiente para proteger-se dos enganadores. Estamos rodeados, não apenas dos céticos, mas de certos homens que devoram os fracos. Não deixem que seus filhos sejam privados de um santo conhecimento, pois há sedutores ao redor que tentam desviar os incautos. Começam chamando-os de "queridos" e terminam afastando-os daqueles que os conduziram a Cristo. Se têm de perder algum dos seus ouvintes, que o seja à luz do dia e não por ignorância deles. tais sequestradores deslumbram os olhos débeis com brilho de novidades e transtornam as mentes fracas com descobertas maravilhosas ou doutrinas surpreendentes, as quais tendem à divisão, à amargura e à exaltação da própria seita. Esforcem-se por mantes a luz da verdade ardendo, e os ladrões não se atreverão a saquear as suas casas.
Feliz a igreja de crentes em Jesus que sabem porque crêem nEle. pessoas que crêem na bíblia e conhecem o seu conteúdo; crêem nas doutrinas da graça e conhecem o alcance de tais verdade; sabem onde estão e o que são, e portanto vivem na luz e não podem ser enganadas pelo príncipe das trevas! Lutem, caros irmãos, para que haja muito ensino em seu ministério. Alimentem sempre o rebanho com conhecimento e compreensão, e que a sua mensagem seja sólida, contendo alimento para o faminto, cura o enfermo e luz para os que estão nas trevas.
Fonte: Cristianismo Verdadeiro 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O QUE É A MAÇONARIA

Iniciação do Candidato
Antes da iniciação, a vida do candidato é inquirida por uma comissão, se aprovada segundo critérios pré-estabelecidos, uma dupla de maçons irá até a casa do candidato para estabelecer contato com sua família conhecendo assim o seu “modus vivendi”. Aprovado o seu ingresso na ordem, é então marcado sua iniciação que se dará num “Templo Maçônico” o qual também é denominado “Loja Maçônica”. No dia marcado, o candidato se apresenta no templo, trajando terno preto ou azul marinho. Na porta do templo é recebido por um maçom vestindo um balandrau - que é um tipo de vestimenta preta que cobre todo o corpo - tendo em sua cabeça um tipo de chapéu pontiagudo como se fosse um cone (como os utilizados pela inquisição) ficando à mostra somente seus olhos, nariz e boca. Aqui seus olhos são vendados com um pano escuro, de modo que nada veja o que ocorre à sua volta. O candidato tem acesso a uma espécie de átrio onde do mesmo são retirados todos os objetos metálicos, tais como anéis, relógios, pulseiras, abotoaduras, dinheiro e seu cinto. A calça na perna esquerda é enrolada até a altura do joelho, do seu pé direito é retirado sua meia e seu sapato, sendo calçado um chinelo ordinário; seu paletó é retirado assim como a gravata, a sua camisa é aberta, o lado esquerdo é despido, assim como a manga direita da sua camisa é enrolada até entre o ombro e o cotovelo, sendo então lhe é colocada uma pequena corda em volta do seu pescoço.
Desta maneira o candidato, de muito boa fé, de boa mente, degradado, na sua condição mundana e pobreza espiritual e em conseqüência desta situação que se encontra, o mesmo tem o ardente desejo de ser enriquecido com a sabedoria e luz maçônica, que o mesmo irá receber. Imagine caro leitor a que ponto chega o ser humano, quando iludido por enganos! Quantas pessoas inteligentes se submetem a estas condições degradantes em busca de crescimento espiritual! Os maçons afirmam que os templos são locais de estudo e aperfeiçoamento e que a mesma não é uma religião. Vamos verificar no decorrer deste estudo, que esta é uma falsa afirmação.
Voltando ao ritual de iniciação, ao candidato antes de adentrar o recinto é lhe perguntado se está bem, se está preparado para as provas que irá enfrentar, etc... criando assim um ambiente de misticismo e ansiedade no candidato. Com os olhos vedados, significando sua condição de profano (pois assim são chamados todos aqueles que não tem a sabedoria ou luz maçônica ou não conhecem a arte real). Já no interior do templo, amparados por dois maçons, é conduzido por caminhos imaginários que se supõe seja sua condição mundana e então o mesmo é colocado sob algumas situações, como a ponta de uma espada colocada em seu peito na altura do coração, o sentar em uma cadeira cheia de pontas de pregos, fazer alguns juramentos e depois, se estiver mentindo, tomar de uma taça como cheia de um veneno mortal, que na verdade é somente água com açúcar e muitas outras coisas sem relevância. Nestas iniciações podem também ser utilizados esquifes, crânios, velas, acácias e outros objetos que ficam a critério de cada loja. Depois de aproximadamente uma hora gasta neste ritual, a venda é tirada dos olhos do então agora chamado neófito. Todos os maçons presentes apontam suas espadas na direção do mesmo, que é denominado irmão aprendiz e é cingido com um avental branco com a abeta virada para cima. O neófito é aplaudido por todos os presentes e, a partir deste momento, o mesmo passa a fazer parte da ordem que no Brasil são regidos por – o Grande Oriente do Brasil, o Grande Oriente de São Paulo e grandes lojas (de orientação Inglesa e Escocesa).
Abro aqui um parêntese, porque se faz necessário um esclarecimento sobre a composição de autoridades maçônicas que regem o templo. O Venerável Mestre ou Presidente da Loja é eleito para determinado mandato, e é a autoridade máxima na diretoria eleita. Irmão Orador é um maçom de bastante cultura, que rege estudos ou aconselhamento na loja, chamado também de Irmão de Muita Sabedoria. O Irmão Tesoureiro é responsável pela coleta, administração, gastos, e prestação de contas do sistema financeiro da loja. Dentro das lojas o dinheiro é chamado de medalhas cunhadas. Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes são uma espécie de guardiões das colunas do templo, das quais falaremos mais adiante. Irmão Guardador da Porta do Templo é o que recebe a entrada e saída dos maçons no templo. Faço aqui uma observação: na maçonaria existe uma graduação como a seguir: Grau de Aprendiz, Grau de Companheiro e o terceiro grau que é o de Mestre Maçom, este é o grau da Plenitude Maçônica, os graus acima disso até 33º são somente graus simbólicos atingíveis por estudos e provas a que são submetidos.
Do Modelo do Templo
Internamente o templo é um misto de cópia que os maçons afirmam ser do Templo de Salomão, que na realidade, não é de longe nem um esboço do mesmo relatado pela Bíblia sendo uma invenção humana com muitas adaptações. Como afirmei, não pode ser considerado modelo de fidelidade.
A Composição Física da Loja
Pode ser assim descrita: Depois da porta principal estão localizadas duas colunas chamadas Boaz e Jaquin. Estes são posicionadas uma a direita e outra a esquerda conforme prefiguração que os maçons acreditam ser referência a II Crônicas 3:15-17. Existe no chão um mosaico quadriculado nas cores branco e preto, logo à frente tem um pequeno púlpito onde fica o livro da sabedoria, a Bíblia, o Alcorão, o Mahabharata ou outro segundo a preferência dos membros. Existem fileiras de cadeiras dos dois lados do salão onde se sentam membros e visitantes. Na parte frontal da loja fica um plano mais elevado onde ficam as outras autoridades da loja, como o presidente, orador, tesoureiro e secretário. Ninguém tem acesso às reuniões a não ser os próprios maçons; esposas, filhos e visitantes só têm acesso a loja nas chamadas festas brancas, que são eventos, banquetes, etc.
Do Ritual e Procedimentos
Existe um pequeno púlpito, onde está aberta uma Bíblia aberta no Salmo 133 que é lido na abertura da reunião, em outro leitura é lido Amós 7:7,8. Cada oficial eleito toma o posto para o qual foi eleito, os assuntos ali tratados são os mais variados possíveis, de interesse da própria loja e de outras lojas. Nunca entendi o porque do segredo destas reuniões pois são assuntos, a meu ver, irrelevantes e sem a necessidade do valor que a eles são atribuídos. Nos dezessete anos em que fui maçom, fora os estudos e iniciações ali realizadas, nada vi que tivesse a importância a ponto de não serem consideradas de conhecimento público.
A maçonaria atualmente está tão degradada a ponto de hoje existirem lojas maçônicas mistas (homens/mulheres) e lojas somente de mulheres e este fato se deu porque maçons revelaram as suas esposas os procedimentos e conteúdo das reuniões quebrando assim uma hegemonia masculina de quatro séculos.
A Bíblia, O Cristo Jesus e Outros
A Bíblia para os maçons não é de maneira nenhuma a sua regra de fé. A mesma para eles é apenas um livro filosófico sem nenhuma importância para a salvação dos homens. O sacrifício de Cristo na cruz para a salvação dos pecadores é ignorado pela maioria, senão digo pela totalidade. Cristo é apenas um iluminado. Os maçons não aceitam ateus, ou seja, ninguém que não crê num ser maior como o G.A.D.U. (Grande Arquiteto do Universo ou também o Grande Geômetra), assim como Alá dos Mulçumanos e outros.
Existem lojas Brasileiras que incluem em seu ritual correntes feitas por maçons que invocam o nome de maçons já falecidos. Inclusive existem lojas que aos iniciados é dado o nome de um maçom eminente já falecido como Jaques de Molay, Voltaire, Mozart, Andrada e outros.
Os maçons dizem descender dos antigos Egípcios mas não há provas verdadeiras destas afirmações. O que existe de comprovado é que este movimento se iniciou no século XV na França e também na Inglaterra de onde se propagou para o mundo então conhecido. Muitas lojas Brasileiras tem aderido as suas fileiras Espíritas-Kardecistas daí o seu caráter caritativo e a tendência do seu ritual religioso, do qual eles alegam não ser (maçonaria espírita).
Simbologia
O símbolo mais conhecido dos maçons é o esquadro e o compasso pelo qual os maçons são universalmente conhecidos. Existe também o olho direito inserido num triângulo, o qual é chamado pelos maçons do olho que tudo vê, ou seja, o olho de Deus.
Como a palavra maçom na língua Francesa significa pedreiro, são muitas as ferramentas usadas em seu simbolismo assim como o maço (martelo), o cinzel (palhadeira), a colher de pedreiro, o nível, o esquadro e o prumo. Aproveitando o simbolismo, atrelados a toda esta simbologia existe uma suposta lenda a respeito de Hirão (1 Reis 7.13,14) na construção do templo durante o reinado de Salomão. Esta lenda envolve a acácia, considerada pelos maçons como uma espécie de arvore sagrada que biblicamente não passa de uma estória inverídica, anti-bíblica, somente crível para aqueles que não pesquisam as Escrituras. São enganados porque assim o preferem, permanecendo no erro e se sujeitando a ele.
Esta sociedade secreta se deu no passado a aspirações políticas. Um exemplo disso é a independência do Brasil onde o Imperador Dom Pedro I foi iniciado na maçonaria e nesta mesma cerimônia foi elevado ao grau de mestre levando como segundo nome “Guatimozin” nome de um indígena Mexicano que foi mártir de um causa naquele país. Logo depois deste episódio deu-se a libertação do Brasil do Portugal, e Dom Pedro I como imperador do Brasil.
A maçonaria em épocas passadas teve seu braço interferindo na política de muitos países. Não podemos deixar de registrar a inimizade entre a maçonaria e a Igreja Católica que por séculos perdurou, por interesses comuns à ambas as partes. Atualmente existe uma tolerância mútua.
A literatura maçônica que envolve rituais e procedimentos são escritos com linguagem cifrada que só os iniciados conseguem traduzir.
Mitos e Enganos que Vulgarmente se fala das Lojas /Maçônicas.
1. Que a imagem de Cristo na cruz (crucifixo) é chicoteada em alguns rituais.
R: Falso, isto não acontece.
2. Ritos de magia negra e bruxaria acontecem dentro das lojas.
R: Falso, isto não acontece.
3. Que as artes maçônicas são tão antigas como a existência do próprio homem na terra.
R: Falso, não há comprovação histórica para tal alegação.
4. A veracidade Bíblica para atestar a lenda de Hirão e a acácia para embasar seu ritual.
R: Falso, a Bíblia nada fala a esse respeito, que este fato é citado como bíblico, mas isto não está escrito, sendo invencionice humana, mentira, para apoiar um ritual espúrio.
5. Que a maçonaria só aceita em seus quadros pessoas de ilibado procedimento em sua vida.
R: Falso, a maçonaria recebe em seus quadros pessoas de todos os tipos. Cada loja é soberana para aceitar pessoas de acordo com suas conveniências.
6. Que dentro dos templos todos são iguais, existe um nivelamento.
R: Falso, dentro das lojas existem elites que tem proeminências e destaque, devido aos cargos que exercem na vida secular.
6. Que a pessoa fica rica quando entra para a maçonaria.
R: Falso, todo maçom tem que trabalhar e prover sustento para sua família. Se o mesmo sofrer algum revés em sua vida, ele será amparado assim como sua família.
Dos Juramentos
Quando do seu ingresso na ordem, o iniciado tem que proferir juramento assim como em mudança de grau. Cito aqui os três juramentos principais:
Primeiro Grau – Aprendiz Maçom
Juro nunca revelar os segredos a mim revelados, como artes, procedimentos ritualísticos, revelações místicas, e outros.
Sob pena de ter cortada minha garganta de um lado ao outro, e ter arrancada a minha língua e após isto ter meu corpo enterrado nas areias do mar sob o fluxo e refluxo das ondas.
Segundo Grau – Companheiro Maçom
Idem ao juramento do primeiro grau.
Sob pena de ter meu coração arrancado e ter meu corpo enterrado nas areias do mar sob o fluxo e o refluxo das ondas.
Terceiro Grau – Mestre Maçom
Idem aos juramentos do primeiro grau – aprendiz e o segundo grau de companheiro maçom.
Sob pena de ter rasgado meu ventre e expostas as minhas entranhas e ter meu corpo enterrado nas areias do mar sob o fluxo e refluxo das ondas.
Rito Escocês, antigo e aceito.
Conclusão
O autor deste trabalho foi membro ativo da maçonaria por dezessete anos. Porque ingressei na ordem? Primeiro por curiosidade, depois para conhecimento do que se passava lá dentro - por exemplo, as coisas secretas. Tive parentes e amigos maçons que me incentivaram a ingressar nos seus quadros, estar próximos as elites, pois todas as pessoas influentes que conhecia eram maçons.
A Chamada
O meu Senhor Jesus, o Cristo de Deus, meu Salvador me chamou para servi-Lo. Foi um novo nascimento, Ele me tirou dum charco horrível e pôs seguro os meus pés sobre uma rocha firme. Ele me limpou para que eu me tornasse novo. “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;” Efésios 2.1,2
Porque a maçonaria é incompatível com o cristianismo Bíblico? Vou responder com versículos bíblicos (Bíblia Almeida Fiel).
“Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto.” João 18.20
“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido. Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado.” Lucas 12.2,3
“Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.” Marcos 4.22
“Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.” Mateus 5.34-37
“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” I Coríntios 10.21
Advertência Final
Tudo o que aqui foi escrito, meu caro leitor, é uma advertência para te mostrar o que se passa nesta sociedade secreta e conhecendo esta verdade, te previnas e te esquives de incorrer no mesmo erro que cometi no passado. Não poderei voltar ao passado para fazer um novo presente, mas no presente com auxilio do Senhor Jesus Cristo faremos um novo futuro.
Amigo leitor tenha sempre em mente os versículos com que encerro este trabalho.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14.6
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” II Coríntios 5.17

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Que a Bíblia Diz?


O que Jesus quis dizer quando disse para não dar
"aos cães o que é santo"?
Em Mateus 7:6, Jesus disse"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem."
As interpretações desse versículo variam e, algumas vezes, são completa-mente estranhas ao seu contexto. Alguns o aplicam literalmente, dizendo que é pecado dar as sobras da mesa (já abençoadas através da oração) ao cão doméstico. Mas mesmo uma leitura superficial do contex-to, a qual é a mensagem mais espiritual já transmitida ao homem, mostra que Jesus não está se referindo aqui a cães de estimação ou porcos. Sua mensagem é claramente espiritual.
Jesus usa animais aqui, como em outros lugares, para representar as caracte-rísticas espirituais de certas pessoas. Do mesmo modo, ele chamou Herodes de "essa raposa" (Lucas 13:32) e os fariseus de "serpentes, raça de víboras" (Mateus 23:33). Seus seguidores freqüentemente foram chamados de ovelhas (João 10:27).
No Velho Testamento, aos sacerdotes era permitido comer de certos sacrifícios oferecidos ao Senhor (Êxodo 29:33; Leví-tico 2:3). Seria impensável para eles jogarem essa comida sagrada para algum cão vadio. O cão não seria capaz de apreciar o valor disso. Semelhantemente, um porco jamais pode apreciar a beleza e o valor de uma pérola rara.
Há cães espirituais neste mundo, ou seja, pessoas que simplesmente não apre-ciam o valor das coisas espirituais. Jesus está dizendo que não se deve forçar o evangelho sobre tais pessoas. Por mais que queiramos guiar uma pessoa ao Senhor, não podemos obrigar ninguém a obedecer a Deus.
Jesus usou uma linguagem mais clara para falar do mesmo assunto quando enviou os apóstolos para pregar: "Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés" (Mateus 10:14).
Hoje em dia, precisamos fazer a mesma coisa quando ensinamos o evangelho. Àqueles que estão famintos e sedentos de justiça, devemos dar todas as oportunidades para aprenderem a vontade de Deus. Mas aqueles que já mostraram sua falta de interesse nas coisas espirituais não devem e não podem ser forçados a obedecer. Admoestações constantes, não importa se bem intencionadas, não transformarão um cão num cordeiro.
Precisamos ser cuidadosos aqui. Os apóstolos podiam discernir a atitude de uma pessoa somente depois de ter tentado ensiná-la. Não devemos desistir de ensinar alguém antes de lhe dar uma oportunidade para ouvir o evangelho. Somente Deus sabe o que realmente está no coração!
-por Dennis Allan

domingo, 21 de setembro de 2014

Uma Fé Exemplar

Uma Fé Exemplar
Uma fé exemplar
Depois de falar sobre os dois fundamentos, dacasa sobre a rocha e a casa sobre a areia, Jesus entra em Cafarnaum e encontra-se com alguns anciãos dos judeus enviados por um centurião, que pedem que o acompanhem pois o servo do militar romano estava muito doente, quase morto. Já próximo à casa do oficial, este manda um recado através de amigos que surpreende a Jesus:
“Senhor, não te incomodes, pois não mereço receber-te debaixo do meu teto. Por isso, nem me considerei digno de ir ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito a autoridade, e com soldados sob o meu comando. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; e a outro: ‘Venha’, e ele vem. Digo a meu servo: ‘Faça isto’, e ele faz”.
Que fé era aquela hein? Até o próprio Jesus se admirou com a proporção da fé daquele homem! Mas, e quanto a nós, e quanto ao mundo hoje: ainda existe fé semelhante?
É bem improvável que sim, pois a fé atualmente está presa dentro de um corpo de crenças, e fora disso, o que se vê são julgamentos, “desviados” aos olhos daqueles que se julgam cristãos, “ímpios” simplesmente por não fazerem parte de um clube social, e assim sucessivamente.
Vale destacar que fé em Cristo, no Filho do Deus Vivo, e crença, são coisas totalmente distintas. A primeira crê no Filho e submete-se à sua consciência (Palavra) e Reinado (domínio de Deus sobre o homem mesmo ainda na terra). A segunda por sua vez não passa de um conjunto de superstições, um aparato de ideias, um emaranhado de informações que ora são coerentes, ora são totalmente contrárias umas às outras; para resumir a coisa, crença é uma derivação de crer, e aqui entra qualquer tipo de crer, inclusive o próprio satanás é crente… Pois ele também crer, e estremece de tamanha crença!
Ter fé segundo a Bíblia é ser cristão, seguidor de Cristo, discípulo, e isso produz muitas coisas boas, inclusive a cura, seja do corpo, seja da alma; por outro lado, crenças de uma maneira geral não produzem cristãos, nem muito menos discípulos, no máximo irão produzir religiosos, supersticiosos, fanáticos, ou até mesmo demônios como afirmou Tiago no capítulo segundo de sua epístola.
Chamar de ímpio alguém, simplesmente por que ainda não se tornou membro de uma instituição registrada em cartório com CNPJ e tudo mais, é distorcer completamente o significado da palavra que tem a ver com maldade, impiedade, e nada a ver com “não membro”. É também trazer para dentro de si mesmo, demônios que são incapazes de reconhecer a graça e a misericórdia de Cristo.
A fé daquele homem era uma mistura de convicção no poder de Deus manifestado no Filho, com uma humildade imensa, pois se reconhecia indigno de recebê-lo em sua casa. E esse tipo de fé sempre trará curas, e salvação, mesmo que a última seja incompreendida por todos!

sábado, 20 de setembro de 2014

As parábolas de Jesus: vislumbres do paraíso


Jesus não foi soldado, nem estadista, nem comerciante. Ele era mestre, único e incomparável, mas mestre (Mateus 4:23). Aqueles que o ouviram ficaram "maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas" Mateus 7:28-29). Mesmo seus inimigos relatavam que jamais tinham ouvido um homem falar como Ele (João 7:46). E por que não? Ele era a mensagem do céu encarnada -- o Verbo se fez carne (João 1:14). Em Jesus os homens viam, com também ouviam, a verdade. Palavra, pensamentos e atos eram maravilhosamente unidos nele. E em sua voz estavam os confiantes ecos da eternidade. Ele tanto sabia, como era, a própria Verdade (João 14:6).

Como mestre, a missão do Filho de Deus era revelar o coração de seu Pai aos homens, para que conhecessem e entendessem sua graciosa vontade para as vidas deles. Tal entendimento não poderia ser criado por divino "faça-se". As maravilhas que Jesus fazia eram notáveis, mas serviam apenas para confirmar sua mensagem (João 3:1-2) que, como a verdadeira fonte da energia salvadora de Deus (Romanos 1:16), tinha, finalmente que ser aceita e entendida como eficaz (João 6:44-45). Por toda sua magnífica demonstração de poder divino, os milagres não poderiam forçar esse entendimento. Tinha que ser atingido por instrução paciente e muitas vezes laboriosa que, mesmo depois de longas horas, dias e meses era submetida a completa rejeição.

Mas por amor perseverante de seu coração Jesus buscava fazer com que todos os homens entendessem, e escolhia abordagens que eram notáveis por sua simplicidade. Ele pegava os homens onde eles estavam e buscava levá-los a onde era necessário que estivessem. Ele se valia do conhecimento deles deste mundo para ensinar-lhes sobre o porvir. Nada há no estilo de Jesus como professor que seja maior expressão disto do que suas parábolas, e aqueles que quiserem entender Jesus precisam chegar finalmente a entender aquelas poderosas histórias ilustrativas que se tornaram o veículo característico de tantas de suas lições. As parábolas de Jesus passaram para a História e se tornaram parte intrínseca de nossa cultura. Ele poderia ter sido imortalizado nos relatos da literatura apenas por causa delas. Se não fosse por toda sua celebridade, elas seriam tão pouco entendidas por esta geração como por aquela à qual foram dirigidas primeiro.

"Parábola", a forma aportuguesada da palavra grega, parabole, vem de um verbo grego que significa "atirar para o lado". Uma parábola é uma história que coloca uma coisa ao lado de outra com o propósito de ensinar. É uma comparação, colocando o conhecido ao lado do desconhecido. Memoravelmente expressada, ela é "uma história terrestre com um significado celestial".

A palavra grega para parábola ocorre cerca de cinqüenta vezes no Novo Testamento, somente duas vezes fora dos evangelhos (Hebreus 9:9 e 11:19, onde é traduzida como "figuradamente"). Em Lucas 4:23 ela é traduzida "provérbio" (RA2,NVI).  É conhecida característicamente como uma narrativa "um pouco longa ... tirada da natureza ou das circunstâncias humanas, o objeto da qual é dar uma lição espiritual" mas também é "usada como um breve ditado ou provérbio" (W. E. Vine, Expository Dictionary of NT Words, p. 158).

Por causa da incerteza do que exatamente constitui uma parábola, as listas das parábolas de Jesus que têm sido compiladas variam em extensão de acordo com o julgamento do compilador. As listas mais longas incluem tais ilustrações como "o bom pastor" (João 10) e "os dois construtores" (Mateus 7:24-27). As listas mais curtas excluem-nas.

Se não podemos determinar com exata certeza se algumas ilustrações de Jesus merecem ser chamadas parábolas, há algumas coisas sobre parábolas que estão fora de dúvida.

Parábolas não são fábulas ou mitos. Não há elementos irreais ou situações impossíveis nelas. De fato, sua força está em serem absolutamente concebíveis e na plausibilidade das circunstâncias que elas descrevem. Elas falam de situações familiares, da vida real.

As parábolas são mais do que provérbios, ainda que às vezes semelhantes em propósito. Nos evangelhos, os provérbios são referidos às vezes como "parábolas": "Médico, cura-te a ti mesmo" (Lucas 4:23); "Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco" (Mateus 15:14-15); "Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha;" "E ninguém põe vinho novo em odres velhos..." (Lucas 5:36-37). Mas um provérbio é caracteristicamente um ditado curto e direto, cujo significado é evidente. Uma parábola tende a ser mais longa, mais envolvida, e o significado não tão facilmente visto.

Jesus, até onde sabemos, não começou a ensinar por parábolas antes do fim do segundo ano de seu ministério público (há uma única exceção, Lucas 7:41-42). Foi na presença de uma imensa multidão próximo do Mar da Galiléia, e suas comparações ilustrativas vieram com um ímpeto que surpreendeu seus discípulos (Mateus 13). Em histórias maravilhosamente concretas e simples, Jesus revelou aos seus seguidores os mistérios do reino do céu. Era apenas o começo. Este é um convite para estudar aquelas narrativas maravilhosas que nos convidam a olhar para o próprio coração de Deus.